A charge como discurso aplicado à capa da revista piauí

Adeline Almeida Bordin, Rodolfo Stancki

Resumo


Resumo

De acordo com Herman Lima a primeira charge brasileira, em 1837, estava ligada a noticia de corrupção envolvendo o diretor do Jornal Correio Oficial sendo vendida através de reproduções litográficas nas ruas do Rio de Janeiro. Desde então temos o aceite do discurso inserido na charge pelo leitor brasileiro como forma critica e humorística de entendimento e apontamento de problemas políticos. Este trabalho visa analisar  a charge como elemento gráfico de primeiro plano nas capas da revista piauí. Apoiado bibliograficamente nos estudos da imagem de Jacques Aumont e do alfabetismo visual explorado por Donis A. Dondis, este trabalho busca compreender a forma pelas quais se relacionam as construções subjetivas que envolvem a leitura e a interpretação de uma imagem. Para este fim foi escolhida a capa da edição 112, de janeiro de 2016, ilustrada pela artista russa Nadia Khuzina. A capa traz uma charge em que o atual presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente afastado da câmara Eduardo Cunha (PMDB,) se beijam ao mesmo tempo em que Cunha cola nas costa de Temer um adesivo onde se lê: Fora Dilma. Para Aumont o entendimento dessa figura só é possível porque, além de possuirmos os recursos ópticos necessários, partilhamos de valores comuns enquanto sociedade. Aquilo que se define como charge, é uma forma de discurso representado graficamente, reproduzido através de um suporte e que é decodificado através da leitura e da interpretação, sendo esta a parte em que a ideologia se torna aparente. Para Mikhael Bhaktin, todo signo é ideológico, pois é resultado de uma realidade natural ou social. A. Dondis atribui à Ilustração a função de levar uma informação visual a um determinado público. Ele diz ainda que geralmente essa informação significa a expansão de um mensagem verbal. Ao juntar os elementos trazidos pelos diversos autores compreende-se que a leitura da imagem em questão é possível porque se é educado a identificar as características que tornam esta ilustração uma charge e a reconhecer o discurso humorístico e critico presente na mensagem. Durante meses os jornais apresentaram noticias sobre o possível processo de impeachment e as articulações políticas que estavam ocorrendo para que tal fato se concretizasse. Ao se partilhar de todo esse saber anterior é possível olhar e interpretar a charge, como uma critica às artimanhas de Eduardo Cunha e Michel Temer, nesta ilustração em que o beijo entre os dois, revela a aliança de um projeto para derrubada da então presidenta. O diferencial é que através de seu planejamento editorial e gráfico, a revista piauí traz a charge para plano de destaque em suas publicações. Apostando na imagem não real para trazer à tona a realidade do momento político em questão em suas capas.

 

Palavras-chave: revista, análise de imagem; charge

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