A FAMÍLIA E A AQUISIÇÃO DO CAPITAL CULTURAL

Juliane MELO, Rosa Maria PEDROSO

Resumo


O objetivo do presente trabalho é analisar  a importância do capital cultural e a sua aquisição por meio da  incorporação dos valores transmitidos pela família. Partindo da premissa de que, em matéria de cultura legítima, os gostos não são dons da natureza e sim fruto da educação e,  considerando que o capital cultural constitui a bagagem intelectual de estilo, gosto e comportamento que o indivíduo desenvolve e acumula ao longo de sua trajetória de vida, apreendido sobremaneira no seio familiar, conforme demonstra o estudo científico, exsurge forte a certeza da importância do papel da família como aquela entidade que,  por laços afetivos, conduz a descendência  a beber e se regozijar na fonte do conhecimento, a tomar contato tanto com o novo como com o conhecimento milenar, os valores concretos e perenes do saber humano. A análise foi realizada marcadamente com apoio nas obras de Mario Vargas Llosa, T.S. Elliot,  Bourdieu e Jessé de Souza, que têm em comum a ideia de que o conhecimento transmitido pela família ao longo da vida se tornará o grande diferencial no caminho social e profissional do indivíduo. Por consequência, leva à conclusão de que desenvolver programas de apoio e educacionais voltados à essa instituição, incentivando a permanência das mães no lar, ao menos na primeira infância da prole, talvez fosse uma alternativa mais eficiente e mais econômica na formação de cidadãos com melhores chances na vida de ascenderem a uma vida mais digna. De outra via, justifica a necessidade da criação de políticas públicas compensatórias, como o sistema de cotas nas universidades, visando equalizar as oportunidades para aqueles que não  obtiveram da família bagagem cultural suficiente a lhes possibilitar acesso ao ensino superior público.


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