“VIU O BEBÊ-DIABO E FICOU LOUCA”: A IMAGEM DO DEMÔNIO NAS CAPAS DO JORNAL NOTÍCIAS POPULARES

Rodolfo STANCKI

Resumo


Para o historiador Robert Muchembled (2001), o diabo está presente no imaginário ocidental há mais de mil anos. Institucionalizado pela igreja católica por volta do século V, o personagem serviu como uma estratégia religiosa para afastar os cristãos de ritos considerados pagãos durante a Idade Média. A figura do Maligno, como escreve Carlos Roberto Nogueira (2002), seguiu uma tradição baseada na tentação e no cortejo de pessoas para o Mal. No século XX, o jornal Notícias Populares, de São Paulo, contribuiu para propagar a imagem do Satã em um dos casos mais emblemáticos da história do jornalismo popular no Brasil. Entre maio e junho de 1975, a publicação estampou manchetes sobre um suposto bebê-diabo que havia nascido em um hospital do ABC Paulista e era constantemente avistado por moradores da cidade. Apesar da repercussão, o caso foi desmentido anos depois como uma fraude. Este artigo busca analisar as imagens do bebê-diabo nas capas do Notícias Populares para levantar as estratégias de representação gráfica de um imaginário. A partir do método indiciário proposto por Carlo Ginzburg e de outros autores que trabalham com cultura material por meio de imagens, a pesquisa investiga como o Notícias Populares cria um discurso de realidade sobre o demônio. Como o suporte dessas representações parte da premissa de um conteúdo pautado em fatos reais, o jornal propaga a imagem do bebê-diabo como um tipo de verdade para os leitores.

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