O reflexo da Teoria do Espelho na prática jornalística

Paulo Metling Corrêa

Resumo


De acordo com Traquina, jornalismo pode ser definido como a vida que é contada em breves passagens pelos jornais diários em editorias que vão da sociedade, a economia, a ciência, à educação, entre outros. Foi tentando definir o conceito de jornalismo e notícia que surgiram várias teorias a respeito destes assuntos, uma delas é a Teria do Espelho, que parte do princípio da total objetividade acerca da realidade buscada pelo jornalismo.

Esta teoria é a mais antiga tentativa de explicar os processos que envolvem a profissão. Ela é constituída de acordo com os conceitos do Positivismo, movimento filosófico do século XIX desenvolvido pelo filósofo francês Auguste Comte. Este pensamento enxerga o jornalista como um comunicador desinteressado que não reproduz nenhum tipo de ideologia ou opinião pessoal na reportagem, apenas conta os fatos como são da forma mais objetiva e imparcial possível.

O principal propósito é expressar a reflexão exata da realidade e todos os seus elementos buscando a verdade acima de qualquer coisa. A Teoria do Espelho afirma que as notícias são como são porque a realidade assim as determina. Ela rejeita qualquer componente narrativo jornalístico que não seja a completa descrição dos fatos como aconteceram e acentua a neutralidade do jornalista em aprofundar os assuntos. Opiniões e alterações do tipo podem distorcer a realidade de acordo com interesses pessoais ou coletivos e transformar a notícia em uma ferramenta tendenciosa.

Traquina afirma que nesta teoria o papel do jornalista é definido como o do observador que relata com honestidade e equilíbrio o que acontece, e deve ser cauteloso em não emitir opiniões pessoais. Teoricamente, esta teoria funciona por um princípio que reforça a separação entre opinião e fato. Porém a realidade do jornalista em exercício da profissão diverge com a Teoria do Espelho, pois o processo de apuração das notícias pode gerar falsos relatos sem necessariamente ser culpa do repórter.

O jornalista deve sempre tratar seu trabalho com muita objetividade e dar estrita atenção à verdade, pois isso traz a credibilidade ao seu trabalho. Contudo, fontes podem mentir e documentos podem estar adulterados. Nem todos os elementos encontrados na montagem da notícia podem estar absolutamente corretos. A Teoria do Espelho funciona como um tutorial de conduta jornalística que deve ser seguido até certo ponto, pois, quando nos deparamos com a realidade da profissão percebemos que ela é totalmente diferente.

Para debater os pontos positivos e negativos desta teoria e avaliar como ela é desenvolvida e vista no exercício diário da profissão foi desenvolvido um trabalho de entrevistas com profissionais jornalistas de diferentes meios de comunicação. Os selecionados para participar foram profissionais de veículos de comunicação do impresso, on-line e radiofônico

Todas as entrevistas foram áudios visuais gravadas pelos próprios participantes, alguns optaram por câmeras profissionais e outros por dispositivo móvel. A todos foram realizados questionamentos em torno da imparcialidade do profissional, veículo que está inserido e a realidade.

As respostas foram diversas e esclarecedoras e pôde ser observado que não é possível ser totalmente imparcial ao elaborar uma notícia, mas deve-se sempre buscar a imparcialidade, porém nem sempre este objetivo poderá ser alcançado. Apesar disso, mentiras e invenções é uma violação as regras do jornalismo e jamais devem ser publicadas. Também pôde ser observado com este trabalho que as notícias jamais representaram a realidade como um todo, pelo contrário é apenas um fragmento de um fato, por isso a importância de uma apuração bem realizada, com dados e fontes para relatar o assunto. Um texto bem escrito também é essencial para que o receptor faça suas próprias reflexões.

Ainda de acordo com Traquinas, em comparação com os relatos coletados durante as entrevistas e com o debate realizado e sala de aula, podemos concluir que a Teoria do Espelho é uma explicação pobre e insuficiente e não deve ser imposta de forma integral aos profissionais da área

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