UMA REFLEXÃO DA GESTALT- TERAPIA SOBRE O IMPACTO DA AMBIVALENCIA AFETIVA NO ABUSO SEXUAL INFANTIL.

Joziane da luz Gomes

Resumo


No Brasil, na década de 1960, iniciou-se o processo de reconhecimento das práticas sociais e culturais que atentavam contra os direitos das crianças e adolescentes, ampliando a compreensão dos diversos fatores contextuais histórico-culturais que estão enraizados em tais práticas. O surgimento de órgãos dedicados à proteção de crianças e adolescente transformou-a em objeto de estudo de diversas ciências, e foi em meados do século XX, que a violência contra crianças e adolescentes passou de um infortúnio pessoal de caráter privado para um problema social no qual expressa à correlação de forças da sociedade em que ocorre, desnudando relações de opressão naturalizadas no meio social. (PIMENTEL e ARAUJO, 2006).

A violência sexual infantil de forma generalizada se conceitua como um tipo de agressão que envolve criança ou adolescente em atividades, ato ou jogo sexual com adultos de qualquer sexo, cuja finalidade seja utilizar e transformar a criança ou adolescente em objeto sexual para autossatisfação. (PIMENTEL e ARAUJO, 2006).

Diante do exposto, propõe-se através do olhar da Gestalt-terapia, analisar o abuso sexual infantil como fenômeno capaz de conturbar o campo, persuadido pela contraposição da paternidade como função, e por sua volubilidade no processo figura-fundo, impedindo pela atuação da alienação das polaridades o fechamento da Gestalt e sua posterior cristalização, oportunizando a neurose.

A partir da análise de pesquisa, têm-se como objetivo compreender a dinâmica do abuso sexual diante do impacto da oscilação da função paterna sob o olhar da Gestalt-terapia, se tornando importante reflexão a agregar na compreensão do estudo da violência infantil, tema hoje foco de pesquisas no mundo, consolidando um campo emergencial em resposta à demanda social.

A pesquisa seguiu metodologia qualitativa, utilizando o método fenomenológico de Amedeo Giorgi, cuja base é a análise descritiva do modelo empírico-compreensivo, que busca a essência do fenômeno pressupondo uma relação intencional entre sujeito e objeto, objetivando explorar o sentido da experiência humana. (GIORGI & SOUSA, 2010).

Para explicitar o tema proposto, tornou-se relevante clarificar brevemente os assuntos que implicam o fenômeno estudado, iniciando com breve histórico da Gestalt-terapia como modelo psicoterápico, e sequenciando com a conceitualização do abuso sexual infantil e o seu dimensionamento como fenômeno sob o olhar da Gestalt-terapia, enfatizando o impacto das polaridades da função paterna


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