A HISTERIA E A BISSEXUALIDADE

  • Guilherme Silva dos PASSOS
  • Ana Suy Sesarino KUSS
Palavras-chave: histeria, bissexualidade, fantasia, feminino, psicanálise

Resumo

Este artigo se propõe a estudar a relação da histeria com a bissexualidade, tema este que foi discutido por Freud em 1908 no texto Fantasias Histéricas e sua Relação com a Bissexualidade. A psicanálise nasce do discurso das histéricas, que apresentavam seus sintomas na época de Freud, tais como: paralisias; cegueiras, dentre outros sintomas ligados ao corpo, que hoje em dia não são mais tão comuns ou tão exuberantes. Então, ao estudar a histeria, é de fundamental importância a análise das fantasias que dão origem ao sintoma e à sua bissexualidade. A psicanálise, através do sintoma do sujeito, chega à fantasia, tornando-a consciente para o sujeito. Freud, em um de seus casos mais conhecidos, (o caso Dora), aborda a questão da histeria em sua relação com bissexualidade. É relevante destacar o estudo desse caso, visto que foi o estudo da análise de Dora que fez com que Freud repensasse a teoria da sexualidade feminina. Isso porque Freud percebe que as questões de Dora não estavam ligadas somente à relação de amor e ódio com o seu pai e com o sexo masculino, como pensou de início, mas também – e principalmente – à construção da feminilidade, às figuras femininas de sua vida: sua mãe e à Srª K. É aí que pode-se entender a bissexualidade histérica. Não se trata de um interesse pelo sexo feminino ou pelo sexo masculino, mas pelos dois sexos. Nesse discorrer, este artigo se propõe a construir uma reflexão, para esclarecer essa problemática através do viés psicanalítico para entender essa relação entre a histeria e a bissexualidade. Inicialmente, trata-se de entender como a histeria se estrutura. Para isso, será preciso entender como se dá a constituição edípica feminina.  Freud (1931) no texto “Sexualidade Feminina”, irá descrever sobre o obstáculo que é a troca de objeto original (abandonar a mãe e dar lugar ao pai) para uma menina, associando isso também à dificuldade da troca a zona genital (abandonar clitóris e dar lugar a vagina). Lacan, assim como Freud, no que se refere à constituição de uma mulher irá destacar a mãe e a relação pré-edipiana que ela tem com a filha. Adiante, Freud (1931) mencionará que a menina, ao ver-se sem o falo, cria um sentimento em relação à mãe de frustração, pois entende que a mãe nega a ela o falo. Então, busca o pai, na intenção de que o mesmo possa lhe dar o que lhe foi negado: o falo. Freud (1931) irá descrever que a garota pode se rebelar de três maneiras: na primeira a menina nega a sua sexualidade; na segunda cria-se a fantasia de ser um homem um dia, na esperança de ter o falo; e na terceira e última saída a garota consegue aqui fazer a troca de objeto, tomando o pai como objeto. Freud dirá que a maternidade seria a única possibilidade da mulher suprir a falta do falo. Entretanto, veremos que das três saídas que Freud propõe à mulher, nenhuma delas está diretamente ligada a uma determinada estrutura de personalidade, nem mesmo à histeria. Lacan avança em sua releitura da teoria freudiana ao desenvolver o conceito de gozo feminino. O estudo do gozo feminino ganha destaque nessa pesquisa, uma vez que é a partir de sua consideração que se pode pensar em sujeitos histéricos do sexo masculino. O tema da bissexualidade será trabalhado como sendo um sintoma histérico, pois será entendido aqui como consequência das fantasias de caráter masculino e feminino se vincularem. Freud (1908), no texto Fantasias Histérica e sua Relação com a Bissexualidade, discorrerá sobre as fantasias que têm origem nos devaneios da juventude das mulheres, onde sua natureza é erótica e que surgem para a satisfação de desejos que foram originados de suas privações e anelos. As fantasias podem ser inconscientes ou conscientes, e quando são inconscientes, podem manifestar-se como sintomas e ataques. O ato masturbatório é maneira pela qual o sujeito encontra de sublimar a fantasia, e quando o mesmo é abandonado e o sujeito não encontra um objeto sexual para que possa sublimar a sua fantasia, a mesma pode se converter em sintomas histéricos, como forma de restabelecer a satisfação primária (o corpo), mas, não completa, porém, aproximada. Daí a importância de, ao estudar a histeria, analisar-se as fantasias sexuais, das quais podem-se originar muitos sintomas. Freud (1908) trará nove definições sobre os sintomas histéricos, uma dessas definições em especifico será possível relacionar ao caso Dora. Veremos que essa definição dirá que os sintomas histéricos são a manifestação inconsciente de uma fantasia sexual masculina e de outra feminina, originando-se de um impulso homossexual.

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