DIABETES SOB A LUZ DA PSICANÁLISE

Autores

  • Claudine Maria DE BONA
  • Allana Pazotti FIGUEIREDO
  • Vilmary Fátima ZINK

Palavras-chave:

diabetes, psicanálise, oralidade, passividade, somatização

Resumo

Este resumo contempla uma pequena discussão, baseada em artigos de diferentes autores, sobre a diabetes, em um viés psicossomático, e sob a luz da psicanálise. Uma das principais doenças crônicas causadoras de mortes no mundo contemporâneo, a diabetes é uma doença metabólica causada por hiperglicemia, onde o corpo não consegue absorver a glicose oriunda da alimentação, que permanece no sangue, acumulando, e podendo trazer conseqüências severas. O papel da glicose no organismo é fornecer energia para fazer, empreender, construir. Sob a luz da psicanálise, o diabético possuiria a sensação de impropriedade para fazer, ou a sensação que suas conquistas não foram alcançadas por méritos ou esforços próprios. A riqueza de energia (glicose) está presente, mas não é dele. Em grupos terapêuticos de diabéticos, no início há uma demonstração de “falta”. Depois ocorre um “enjoamento”, com altos índices de desistência. Os pacientes elogiam a terapia, mas nunca estão “satisfeitos”. Descreve-se a personalidade dos diabéticos como sujeitos que se descompensam depois de um período de grandes tensões e esforços e apresentam dificuldades tais como indecisão e insegurança, oscilando entre dependência e independência, com a peculiaridade de serem passivos e masoquistas. Podem ser oral-agressivos com tendência contraditória a rejeitar o alimento e o afeto que necessitam. O desenlace dessa situação é uma dependência do tipo agressivo em relação à mãe. Sujeitos tendem a sentir necessidade exagerada de afeto, nunca satisfeita. A diabetes pode ser desencadeada por deficiência de adaptação, insegurança física e emocional ocorrida na infância, provavelmente devido à sensação de rejeição pelos pais, pelo nascimento de irmãos, ou por rejeição da mãe ou cuidador. Existe também a hipótese de que a dificuldade metabólica dos diabéticos representa um déficit na capacidade de identificação do Eu. Traços comuns de personalidade em diabéticos são oralidade, dependência, busca de atenção maternal e passividade. Pacientes diabéticos mostram-se submissos em análise, e termos como “moles” ou “fofos” são utilizados para descrevê-los. No conto de fadas Joãozinho e Maria, a madrasta má, que induz o pai das crianças a abandoná-las no bosque, representa o abandono materno, que se equipara no conto com a perda do alimento. Esta situação é maniacamente negada e transformada na "casinha feita de doces", que se come, e na vingança da bruxa, que tenta comer o faminto. Falta, submissão, trauma, carência, demanda, oralidade são algumas das possíveis conexões que se manifestariam psicossomaticamente na diabetes como doença. Ou seja, uma “amargura” que se torna uma “doçura maldita”.

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