Considerações para o manejo clínico infantil na psicologia analítica.

Palavras-chave: Clínica Infantil, Manejo Clínico, Psicologia Analítica, Criança

Resumo

A clínica infantil se assemelha muito ao que se sabe sobre o nosso universo, que é imenso, não foi muito explorado e está em constante expansão. Independente da abordagem utilizada para explorar o universo da criança, é interessante observar como a literatura base precisa ser adaptada ao se tratar dessa etapa do desenvolvimento. Ao que se tem registro, Jung não atendeu crianças no processo de análise, e sempre que o psiquiatra era consultado sobre o processo de análise com crianças, ele reprovava que fosse feito e alertava para o risco que a criança corria de desenvolver uma psicose, uma vez que a via Ego-inconsciente não estava formada. Apenas os pós Junguianos começaram a desbravar o universo dessa etapa do desenvolvimento, se apoiando no que Jung trazia sobre o principal objetivo do desenvolvimento da consciência no seu processo de individuação, o presente trabalho busca levantar quais são essas considerações que precisam ser levadas em conta para o manejo clínico infantil na psicologia analítica por meio de pesquisas bibliográficas de materiais científicos. A criança, necessita de lidar com diversas demandas do mundo exterior que acabam exercendo maior influência sobre essa etapa do desenvolvimento e subjugam o seu mundo interior, pois precisa atender a uma série de demandas, regras e imposições que o ambiente exige para que ela se adapte nos mais diversos meios. A clínica infantil precisa servir de amparo para essa criança frente a essas demandas e, principalmente, ser ouvida através da forma que ela vê o mundo. Explorar os conteúdos oníricos pois nessa etapa do desenvolvimento não há uma diferenciação entre objeto e fantasia, os conteúdos dos sonhos podem ser confundidos com a realidade, portanto um espaço criativo que pode ser trabalhado com o paciente de forma lúdica. O manejo clínico com a criança possui uma série de critérios que precisam ser levados em consideração para que o processo de análise seja mais proveitoso e efetivo, como por exemplo: A suspensão de valores para que a ótica do analista não interfira, invalide ou, até mesmo, mate a singularidade da criança ao apresentar suas experiências; Reconhecer a criança como a protagonista de sua história, amadurecimento e do processo de individuação;  Embarcar em sua fantasia, para compreender as demandas e as projeções da família e da sociedade sobre o infante; Convidar a família para o setting terapêutico para compreender se há algo que essa criança reproduz desse sistema e para alinhar as expectativas da família sobre o processo terapêutico; Compreender a criança para além de um diagnóstico, buscando investigar mais a fundo a mecânica e a dinâmica daquela estrutura psíquica antes de buscar taxá-la de forma a saciar uma necessidade dos tutores dessa criança.

Publicado
2023-11-01
Seção
Psicologia

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)