Comunicação, Discurso e Resistência: a prática ciberativista de mulheres indígenas no Facebook

  • Hellen Cristina Picanço Simas

Resumo

Com o surgimento da internet em 1969, houve uma grande mudança na forma de comunicação humana. Foi possível, por exemplo, reunir, com facilidade, um grande número de pessoas, em um curto período tempo, num espaço virtual, para debaterem um assunto. Assim, muitos grupos, considerados excluídos pela grande mídia, viram na cibercomunicação uma oportunidade de exporem opiniões, ideias e, até mesmo, reivindicarem direitos. Diante desse cenário, delimitou-se para estudo o discurso de mulheres indígenas na rede social Facebook, a fim de compreender quais são as Formações Discursivas (FD) a que seus discursos se filiam, enquanto sujeito-discursivo em espaços virtuais, e verificar se há convergência entre a posição do sujeito-discursivo e o lugar social do sujeito empírico. Para isso, selecionaram-se quatro publicações de duas líderes indígenas para compor o corpus de estudo e utilizou-se a Análise do Discurso francesa como respaldo teórico-metodológico para a interpretação dos dados. Após análises, os resultados apontaram que, nos discursos estudados, há Formação Discursiva (FD) de defesa da igualdade de gênero e, principalmente, FD de defesa dos direitos indígenas. Isso demonstra que as mulheres indígenas em estudo se constituem como ciberativistas e utilizam o Facebook para promover debate em prol das causas indígenas. Há também uma correspondência entre o sujeito social e a posição sujeito presente nas postagens analisadas.

Publicado
2021-05-28
Seção
Dossiê Orientalismo